ESTAMOS COM FOME DE AMOR E CARINHO.

Texto de Antonio Claudio Maia
Correspondente Carioca do Blog de Ana Clara Maia
Texto Complementar de Arnaldo Jabor

“Você poderá arrancar as minhas unhas, me pendurar no pau-de-arara, dar choque em meus genitais, mas meu cérebro e minhas idéias estão totalmente fora de sua capacidade de entender.
Somente meu corpo está ao alcance de sua ignorância humana e social.”

“Prefiro o derradeiro momento pela bala de um fuzil, do que ver meu povo sendo eliminado pela caneta irresponsável de um ego que governa.”

Frases fortes e de efeito, com apelo moral, social e político que caracterizam a tentativa de materializar os sentimentos entre o gênero humano nos mais diversos cantos do mundo, tão qual eram os discursos inflamados de Lênin na antiga Rússia, na tentativa de formatar e mobilizar homens e idéias, já estamos até acostumados em leituras diversas sobre a história da humanidade.

O que fica mais estranho de se compreender é esse mesmo gênero humano tentar formatar a si mesmo em busca de um isolamento, tendo como premissa a auto-gestão de seus sentimentos, numa utópica corrente comportamental moderna.

Enquanto as fontes de informação nos favorecem em florescer novas idéias e nos despertam para novos sentimentos através do poder solidário da globalização, nos ajudando mutuamente a identificar em que lugar do mundo poderemos ser mais úteis objetivando a sobrevivência humana e do planeta, outros tantos ignoram solenemente nossas raízes oriundas do sentimento.

Podemos inclusive fazer uso de algumas assertivas de Nietzsche, em relação a opção totalmente voluntária de algumas pessoas de ficarem sós e olharem exclusivamente para seus umbigos. Nietzsche assim dizia: “Quanto mais me aproximo do saber do Ego, mais me distancio da essência”.

Até a dinâmica das células biológicas se agregam buscando os pares ou grupamentos, mas os seres humanos atuais, aqueles que conseguem caminhar na frente dos ponteiros dos relógios, aqueles que batem metas, aqueles super torneados em academias e marombados como os antigos “Adônis” gregos, esses cada vez mais vazios e robotizados, desagregados por opção, contrariando a ciência ou a religião.

Não se está aqui discutindo a Etimologia, Semântica e Semiótica, o Signo, o Significante ou o Significado, estamos aqui falando de Mentes, Pensamentos, Idéias, Carinhos e Sentimentos, sentimentos humanos, necessidade de sobrevivência, associação com sua própria espécie, social ou amorosa.

Roland Barthes, escritor, sociólogo e filósofo francês, um homem que criticava conceitos absolutos, complexos e insensíveis que circulavam na sociedade e centros de educação franceses, em sua obra de 1977, “Fragmentos de Um Discurso Amoroso”, dá uma resposta a seus contemporâneos, que haviam marginalizado completamente a linguagem do amor de sua esfera do pensamento, das suas concepções artísticas, culturais ou científicas. Ela era reputada como algo pertencente a um passado sentimental, sendo portanto segregada por aqueles que se diziam modernos.
Roland Barthes realça todo o tempero de aproximação humana voltado ao sentimento, buscadores de relações simples e duradouras, sem plastificar idéias e corpos, motivando os olhares, o toque, o maneio gestual, o cheiro, o rosto com rosto, um braço encostado em outro braço, as mãos entrelaçadas e o mesmo olhar para o universo daqueles dois num só ser; o gozo como conseqüência, era pleno e duradouro.

Ou seja: sai fora tesão cego e egoísta, orgasmos mecânicos e materialistas, pensamentos dominadores com hora marcada de ir ao salão, à academia, visitar um cliente, e ainda se ter tempo de discutir as metas do dia seguinte com seus chefes e equipes.

A sociedade atual, encontra-se bem sujeita a uma falência sentimental por completa inanição do romance, promovendo a masturbação tecno-virtual, pela busca do isolamento voluntário, equivocadamente considerando que seu Ego basta.

Texto Complementar de Arnaldo Jabor _ RJ

Baladas recheadas de garotas lindas, com roupas cada vez mais micros e transparentes, danças e poses em closes ginecológicos.
Chegam sozinhas e saem sozinhas.
Empresários, advogados, engenheiros que estudaram, trabalharam, alcançaram sucesso profissional e, sozinhos!
Tem mulher contratando homem para dançar com elas em bailes.
Os novíssimos “personal dancer”, incrível.
E não é só sexo não, se fosse, era resolvido fácil, alguém duvída?
Estamos é com carência de passear de mãos dadas, dar e receber
carinho sem necessariamente ter que depois mostrar performances dignas de um atleta olímpico, fazer um jantar pra quem você gosta e depois saber que vão “apenas” dormir abraçados.
Sabe essas coisas simples que perdemos nessa marcha de uma evolução cega.
Pode fazer tudo, desde que não interrompa a carreira, a produção.
Tornamos-nos máquinas e agora estamos desesperados por não saber como voltar a “sentir”, só isso, algo tão simples que a cada dia fica tão
distante de nós.
Quem duvida do que estou dizendo, dá uma olhada no site de
relacionamentos ORKUT, FACEBOOK, TWITTER e outros, o número de comunidades como: “Quero Um Amor Prá Vida Toda!”, “Eu Sou Prá Casar!”, “Antes Só”, “Desesperançada”, “Nasci Prá Ser Sozinho”, etc.
Unindo milhares, ou melhor, milhões de solitários em meio a uma multidão de rostos cada vez mais estranhos, insensíveis, plásticos, quase téreos e inacessíveis.
Vivemos cada vez mais tempo, retardamos o envelhecimento e estamos a cada dia mais belos e mais sozinhos.
Sei que estou parecendo o solteirão infeliz, mas pelo contrário, prá chegar a escrever essas bobagens (mais que verdadeiras) é preciso encarar os fantasmas de frente e aceitar essa verdade de cara limpa.
Todo mundo quer ter alguém ao seu lado, mas hoje em dia é feio,
démodé, brega, cafona, esquisito.
Alô gente! Felicidade, amor, todas essas emoções nos fazem parecer
ridículos, abobalhados, e daí?
Seja ridículo, não seja frustrado, “pague mico”, saia gritando e
falando bobagens, você vai descobrir mais cedo ou mais tarde que o tempo pra ser feliz é curto, e cada instante que vai embora não volta mais (estou muito brega!), aquela pessoa que passou hoje por você na rua, talvez nunca mais volte a vê-la, quem sabe ali estivesse a oportunidade de um sorriso à dois.
Quem disse que ser adulto é ser ranzinza?
Um ditado tibetano diz que se um problema é grande demais, não pense nele e se ele é pequeno demais, pra quê pensar nele.
Dá pra ser um homem de negócios e tomar iogurte com o
dedo ou uma advogada de sucesso que adora rir de si mesma por ser
estabanada; o que realmente não dá é continuarmos achando que viver é out, que o vento não pode desmanchar o nosso cabelo ou que eu não posso me aventurar a dizer pra alguém: “vamos ter bons e maus momentos e uma hora ou outra, um dos dois ou quem sabe os dois, vão querer pular fora.
Mas se eu não pedir que fique comigo tenho certeza de que vou me arrepender pelo resto da vida”.

Antes idiota, que infeliz!


“Saudações Cariocas e Niteroienses, com sangue paraibano.”

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