Nos últimos anos não tive vontade de voltar a João Pessoa. Acredito que precisava desse tempo de recolhimento, me nutrindo da presença acolhedora de antigos fantasmas, casarões e chuva, muita chuva. Recolhi-me tanto que me acomodei e acostumei com meu canto, meus morangos, minha vizinha... Essa vida mansa e sem maiores compromissos, esse jeito calmo de fazer as coisas que só as cidades pequenas permitem, me deram por um bom tempo, uma sensação de “bem-querença” confortadora e necessária. Fiquei aqui me fortalecendo.
Era preciso que algo acontecesse para me sacudir e me arrancar desse exílio que, por vontade própria, me submeti. Algo aconteceu me levando bem mais longe do que eu pretendia e fui refazer caminhos, tentando não pisar nas marcas dos passos que deixei em outros momentos.
Voltei frágil, mais sozinha que antes, machucada e dolorida. Uma ausência milenar e uma dor antiga que, na verdade nunca me deixou, tomaram conta de mim. Dessa vez, não achei conforto nem em minha serra... Estou triste, por isso aceitei o convite. Foi bom, mas em certo momento, queria voltar. Acho que estou um pouco perdida... sem chão, sem raízes. Pela primeira vez na vida me sinto órfã. Até então, não conseguia dimensionar o real sentido dessa palavra, apesar de.
Então hoje, quando li “Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas”, foi como se resumisse tudo o que estou sentindo. As pessoas se afastam, vão embora, se perdem umas das outras, por inúmeras razões. Eu já perdi muito, por isso repito: “Não nos afastemos muito, vamos (ficar sempre) de mãos dadas”.
Ana Clara Maia – Areia –PB.

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